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Ser mãe de um adolescente já é, por si só, um desafio.
Agora, imagine viver essa fase tão delicada longe do Brasil, em outro país, outra cultura, outra língua… e, muitas vezes, sem aquela rede de apoio que a gente tinha por perto.
Pode ser ainda mais difícil.
A adolescência é um período de muitas mudanças. O adolescente está tentando descobrir quem é, o que gosta, no que acredita e, principalmente, quem quer ser no mundo.
E, para fazer isso, ele precisa começar a se diferenciar dos pais.
É por isso que, nessa fase, os amigos passam a ganhar uma importância enorme. Os adolescentes querem estar perto de pessoas da mesma idade, conversar sobre as mesmas coisas, ouvir as mesmas músicas, compartilhar experiências e, principalmente, sentir que pertencem a algum lugar.
E isso é esperado.
Só que nem sempre é fácil.
Imagine, então, um adolescente que está passando por tudo isso em um país estrangeiro.
Ele pode estar tentando fazer amigos enquanto ainda está aprendendo uma nova língua. Pode ter dificuldade para entender algumas brincadeiras, referências culturais ou até mesmo para se expressar da maneira como gostaria.
Pode se sentir diferente.
Pode sentir saudade dos amigos que ficaram no Brasil.
Pode sentir falta dos avós, dos primos, da escola, da comida, das coisas que faziam parte da sua rotina.
E, ao mesmo tempo, pode não querer contar nada disso para os pais.
Porque, afinal, ele também está vivendo aquele movimento tão característico da adolescência: querer se afastar dos pais e, ao mesmo tempo, ainda precisar muito deles.
É uma mistura e tanto.
E existe ainda outra questão importante: na adolescência, a opinião dos outros ganha um peso enorme.
"Será que estão rindo de mim?"
"Será que perceberam que eu falei errado?"
"Será que gostam de mim?"
"Será que eu sou estranho?"
São pensamentos que podem ocupar muito espaço na cabeça de um adolescente.
Agora, imagine viver tudo isso em uma cultura diferente, onde ele pode se sentir ainda mais diferente dos outros.
É muita coisa para administrar emocionalmente.
Por isso, mãe, pai… talvez esse seja um momento para olhar um pouco além das notas, da escola e do comportamento.
Observe seu filho.
Como ele está?
Está fazendo amigos?
Tem vontade de sair?
Está sempre sozinho no quarto?
Perdeu o interesse pelas coisas que gostava?
Está mais triste ou irritado?
Está evitando situações sociais?
Está reclamando constantemente que não se encaixa?
É claro que algum isolamento faz parte da adolescência. E nem toda mudança de comportamento significa que existe um problema.
Mas quando o isolamento se torna intenso, persistente ou começa a interferir na vida do adolescente, vale a pena ficar atento.
E, se necessário, procurar ajuda.
A psicoterapia pode ser um espaço muito importante para esse adolescente falar sobre tudo aquilo que, muitas vezes, ele não consegue ou não quer falar em casa.
E, para quem mora fora do Brasil, existe ainda uma possibilidade que pode facilitar bastante esse processo: fazer terapia com um profissional brasileiro, que compreenda a experiência de viver no exterior e permita que o adolescente se expresse em sua própria língua.
Porque, às vezes, encontrar as palavras certas já é difícil.
Imagine quando você ainda precisa encontrá-las em outro idioma.
E sabe de uma coisa?
Os adolescentes costumam se adaptar muito bem à terapia online.
Mas essa é uma conversa para o nosso próximo post. ❤️
Por enquanto, fica um lembrete:
Seu filho pode estar crescendo em outro país, falando outra língua e construindo uma nova vida. Mas ele ainda precisa sentir que tem um lugar seguro para voltar.
E esse lugar, muitas vezes, começa na escuta dos pais.
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